Preparando servos na Palavra de Deus

O ministério atual de Cristo nos céus é de intercessão pelos que creem. Por exemplo, em tese, qualquer pecado poderia desfazer a nossa reconciliação com Deus, e Satanás poderia ganhar a causa contra o crente, quando esse pecasse, exigindo a sua condenação eterna (Apocalipse 12.10). No entanto, quando pecamos Jesus age em nossa defesa (1 João 2.1), apontando para Sua obra no Calvário, que removeu a culpa de todos os nossos pecados, e isso derruba o argumento satânico.

Todavia, antes de Jesus Cristo ser assunto aos céus, Ele já intercedia por nós, como podemos ver no Evangelho segundo João, capítulo 17. Ali, um dos aspectos da Sua oração intercessória foi a de pedir ao Pai que o Seu povo, aqueles que já criam (naquele momento) e os que viessem a crer Nele (posteriormente), fosse levado a uma unidade perfeita. Baseado nesse desejo do Senhor Jesus Cristo, inicio uma série devocional sobre esse tema: APERFEIÇOADOS NA UNIDADE.

Mas, como conteúdo introdutório, vamos meditar nessa expressão de Jesus: “… que eles sejam levados à plena unidade…” (João 17.23 – NVI); ou, como diz essa outra versão portuguesa “… que eles sejam perfeitos em unidade…” (João 17.23 – ACR) – respondendo a seguinte pergunta: O que Jesus queria dizer, na Sua oração ao Pai, sobre o Seu desejo “sejam um” (cf. versículos 11,21-23)?

Primeiro, os únicos beneficiados dessa oração são aqueles que crerem em Jesus (cf. versículo 20), o que compreende um assentimento intelectual, desejo emocional e submissão volicional. Dentre esses que creriam em Jesus como Salvador pessoal estão incluídos os grandes e eminentes crentes, bem como os fracos, pobres e desprezíveis no mundo, ou mesmo fracos nessa sua fé.

Segundo, o que Jesus pretende nesta oração é o Seu desejo de que todos os crentes sejam incorporados em um único corpo (cf. João 11.51,52; Efésios 2.13-16,19), denominado Sua “Igreja” (cf. Efésios 1.10,22,23). Está implícito nessa corporação a ação do Espírito de Deus para “que possam ser um em nós”. A união com o Pai e o Filho só é obtida e mantida pelo Espírito Santo. Embora vivam em lugares distantes e em épocas diferentes, em variadas idades e, portanto, não podem ter conhecimento pessoal ou correspondência uns com os outros, ainda assim eles estarão unidos sob a autoridade de Jesus Cristo, pois possuem o mesmo carimbo, a mesma imagem, sendo influenciados pelo mesmo poder (1 Coríntios 12.13; Efésios 1.13). Por causa disso, Jesus deseja que todos possam estar unidos no vínculo do amor, tendo um só coração, objetivando nos seus projetos a glória de Deus como seu principal bem.

Terceiro, o que assegura o cumprimento dessa oração entre os seguidores de Cristo é o padrão real da unicidade entre o Pai e o Filho (cf. versículos 11,21-23). O Pai ama o Filho, e o Filho sempre agradou ao Pai. A intimidade desta unidade é expressa nessas palavras “… Tu em Mim, e Eu em Ti…” – os crentes são um em alguma medida como Deus e Cristo são um. Eles são unidos por uma natureza divina, pelo poder da graça divina, e são unidos para fins sagrados, não é um corpo político para qualquer propósito secular.
Mas esta oração de Cristo não terá sua resposta completa até que todos os crentes sejam transformados para viverem eternamente em Sua presença, pois então, e até então, serão Aperfeiçoados na Unidade (cf. Efésios 4.13; 1 João 3.2).

Convido-te a me acompanhar nos próximos capítulos sobre esse tema.

Por Silvio Dantas Agostinho